Portal de Arquitetura de Cabo Verde
Nacional
Fogo: Constrangimentos podem suprir 20km na circular
Data de Publicação: 2012-07-20

Os constrangimentos enfrentados pela Maltauro poderão obrigar a supressão de 20 quilómetros de estrada, entre Patim (São Filipe) e a cidade de Cova Figueira (Santa Catarina do Fogo), do projecto inicial da estrada circular do Fogo.

Um técnico ligado à empresa de construção civil Giuseppe Maltauro SPA, responsável pela construção da circular do Fogo, disse à Inforpress que a empresa já comunicou ao dono da obra, o Ministério das Infra-estruturas e Economia Marítima, da dificuldade financeira motivada pela realização de trabalhos complementares e da necessidade
de reanalisar o orçamento inicial.

O director-geral da empresa, Robert Constantine, contactado pela Inforpress sobre esta situação, limitou-se a disse que o lote 2, entre São Filipe e Cova Figueira, está parado devido a algumas dificuldades, sem especificar quais em concreto, e que, por isso, após o arranque das obras no início deste ano, as mesmas foram suspensas e os equipamentos retirados das frentes da zona sul.

"A empresa está à espera da decisão do Ministério das Infra-estruturas”, disse Roberto Constantine, indicando que as duas partes estão a dialogar para fazer o ponto da situação e alguns ajustes no orçamento inicial, algo que classificou de normal em obras
do género.

Reconheceu que as eleições, a mudança do ministro das Infra-estruturas e do próprio director das Infra-estruturas criaram algumas perturbações, mas diz acreditar que os problemas serão ultrapassados porque as partes estão a trabalhar para que as obras do lote sul sejam reiniciadas e executadas na totalidade.

Um técnico do Ministério das Infra-estruturas e Economia Marítima, contactado pela Inforpress, disse que o processo está a ser analisado a nível central e que há vários cenários possíveis, apesar de até este momento não haver ainda uma decisão das autoridades.

As obras da estrada circular ou anel rodoviário da ilha do Fogo como é conhecido previam para a primeira fase, que se iniciou em Março de 2010, a reabilitação e alargamento dos troços São Filipe/Mosteiros, via norte, e São Filipe Cova Figueira, sul, num total de 80 quilómetros, com asfalto nas duas faixas de rodagem de sete metros de largura.

Para esta fase, o orçamento ascende a quatro milhões de contos, dos quais cerca de 40 por cento (%) é garantido directamente pelo Governo, através do Tesouro Nacional e os restantes 60% através dos fundos da OPEP (Organização dos Países Exportadores do Petróleo), Kuwait e BEDEA.

A Empresa TAEP, que elaborou o projecto, chamou a atenção na altura da sua apresentação pelo facto da estrada a ser reabilitada apresentar várias deformações, com um nível de conforto precário, insuficiência na segurança e visibilidade e, por isso, o projecto dedica atenção especial à evacuação das águas da chuva com substituição das passadeiras pelos arquiduques.

Das 220 obras de artes existentes ao longo da circular, 34 seriam mantidas por estarem em bom estado, 47 seriam ampliadas, 89 reabilitadas e 50 passadeiras seriam substituídas por arquiduques.

Entretanto, depois de iniciar as obras e com a movimentação de viaturas, maquinarias e pessoas, as pontes demonstraram fissuras e a empresa em concertação com o dono da obra optou-se pela reconstrução de todas elas, facto que encareceu a própria obra.

Estas realizações são apontadas pela empresa como “trabalho a mais ou complementares”, assim como as de escavações de taludes e das passadeiras até a estabilização das estruturas, situações que levaram a empresa a paralisar os trabalhos no lote 2, entre Patim/Cova Figueira, até a renegociação do orçamento inicial.

Caso venha a registar este corte ou provável adiamento, os responsáveis acreditam que a estrada circular do Fogo, que não incluía na primeira fase o troço entre Cova Figueira (Santa Catarina) e Cidade de Igreja (Mosteiros), fica ainda com menor dimensão, sobretudo na área em que a qualidade do piso e da própria estrutura da estrada “é de péssima condição para a circulação de viaturas e para a segurança de pessoas e bens”.

Fonte: Expresso das Ilhas
Funco" - Habitação tradicional difundida nas ilhas de Santiago, Fogo e Maio, com origem na África Continental, cuja construção é em pedra na forma circular com cobertura cónica em palha e sem divisórias internas.