
Vilarejo para crianças em Kesho Leo, Sinon, Tanzânia – Arquiteto Rob Watson
Independentemente de sua hierarquia, todos possuíam o mesmo tipo de casa, não como expressão de igualdade, mas de pertinência ao mesmo grupo.
Os materiais utilizados variavam, então, segundo a região, mas normalmente eram semelhantes: desde o barro até fibras secas tecidas, ou uma combinação de vários. De modo geral, o povoado se protegia com uma muralha de barro, que rodeava e marcava os limites da aldeia. A atividade migratória é bastante grande dentro dessas tribos. Os pigmeus, por exemplo, povos caçadores, devido à frequência de migrações que costumam realizar, constroem suas casas de maneira simples, com galhos e folhas, dando pouco espaço para o desenvolvimento da arquitetura ou das artes plásticas de uma maneira geral.
Entretanto, a maioria desses povos tem no pastoreio - que também exige constantes mudanças em busca de terras melhores - sua principal atividade. As artes plásticas, nessas condições, ficam seriamente restritas decorações no corpo e aos vasos onde armazenam líquidos e cereais. Além das diferentes variações de choças de adobe e palha, existem na África outros estilos arquitetônicos autóctones.
Os axantes construíam grandes palácios e templos com paredes de barro sustentadas por uma armação de estacas. São numerosas as mesquitas erguidas com essa tecnologia como a Mesquita Axante de Larabanga, em Gana.
Além das próprias influências africanas, algumas mudanças tem sua origem em outras civilizações. Por exemplo, a arquitetura e as formas islâmicas podem ser vistas hoje e algumas regiões da Nigéria, em Mali, Burkina Faso e Niger.
Um bom exemplo da arquitetura islâmica africana é a mesquita de Kairouan na Tunísia, construída em 670 e reconstruída em 836. Lá surgiu uma nova forma de espaço, a maksoura, terraço coberto com uma cúpula e fica em frente ao mirhab. Esta arquitetura refletiu-se na arquitetura espanhola (Sevilha, La Giralda), onde estão as mais belas casas e palácios. São obras de arquitetura mourisca como em Alhambra, Granada.
Fonte: Afro África